domingo, 1 de agosto de 2010

Pág 12 - Simples Assim

Morena..como a lua poderia estar à vontade.
Tocando sua pele e a ela nada acrescenta.
Apenas repousa sob o luar.
Cansada de ser possuída, penetrada, invadida
Pelo Sol ardente.
Nessa noite calma
Sob o luar descansa a pele fecundada e morna
Cheia de luz e graça
Acorda com sua morenice
Resplandece ao dia sedendo seu encanto ao mar
irritado por não poder tocá-la
Seu corpo esguio deixa pegadas na areia
Mas só pegadas indefesas
Desaparecidas por ondas sedentas
Em se falar de qualidades: Tudo era pouco
Beleza era pouco ela era toda harmonia
Escultural corpo roliço, cabelos negros compridos
Sinuosamente encaracolados
Boca carnuda e vermelha
Parecia maquiada se dormindo
Olhos verdes gritando
Sou apenas duas esmeraldas
Seus contornos pareciam pintura
Em escultura viva
O dia passa, o clima igual ao de semanas
Nada era diferente natureza e ambiente se entendiam bem
Acreditava-se nessa união acostumada
Com a presença espetacular dela
Como regato chegasse com sua fresquice
Embebedado de um candeal viçoso
E eu aqui cunhado por um amor que se tem às deusas
Morra noite escura
Seja mais um dia vil
E eu espetado por sete lanças alegres
Nesse coração sem pudor
Oxum, simples assim.

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